Saúde mental: precisamos falar sobre este assunto
3 de fevereiro de 2020
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13 Desafios da saúde para a próxima década

No início deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma lista de desafios da saúde para a próxima década. O documento foi elaborado com informações coletadas por especialistas da Organização no mundo inteiro e reflete uma preocupação de que líderes de todo o planeta não estão investindo em sistemas prioritários de saúde.

A OMS ainda chama a atenção que a saúde é um investimento pensado para o futuro. Enquanto países investem pesadamente em proteção contra atentados terroristas, por exemplo, pouco é feito em relação à prevenção de vírus, que podem ser bem mais mortais e prejudiciais em termos econômicos e sociais.

Os próximos 10 anos devem ser dedicados à ação, o que significa cobrar fundos nacionais que cubram as faltas no sistema e na infraestrutura em saúde. Além disso, a OMS tem a preocupação de conseguir apoio para os países mais vulneráveis. Investir agora significa salvar incontáveis vidas no futuro.

A seguir, apresentamos os 13 principais desafios listados pela Organização. Eles não estão em ordem de prioridade, pois todos são considerados urgentes:

1.Ressaltar a saúde no debate sobre o clima

Falar de crise climática é falar de crise na saúde. A poluição do ar mata aproximadamente sete milhões de pessoas todos os anos. Além disso, as mudanças climáticas provocam maiores catástrofes ambientais, exacerbam a desnutrição e alimentam a disseminação de doenças infecciosas, como a malária. A mesma poluição que causa o aquecimento global causa mais de um quarto das mortes relacionadas a ataques cardíacos, derrames, câncer de pulmão e doenças respiratórias crônicas.

2.Prestar assistência em saúde em áreas de conflitos e crises

No último ano, a maioria dos surtos de doenças que necessitaram da intervenção da OMS ocorreram em países em conflito. Um dos principais desafios nestas situações é a tendência de os serviços de saúde estarem se tornando alvo de ataques nestas áreas. Da mesma forma, estes conflitos obrigam números recordes de pessoas a saírem de suas casas, deixando dezenas de milhões de adultos e crianças sem acesso à assistência em saúde.

3.Tornar a assistência em saúde mais justa

O crescente abismo social também acarreta diferenças exacerbantes na qualidade de vida das pessoas. A diferença de 18 anos de expectativa de vida não ocorre mais somente entre diferentes países, mas dentro deles e até mesmo dentro de cidades. O crescimento dos casos de doenças não-contagiosas, como câncer, doença respiratória crônica e diabetes, tem jogado um fardo desproporcional em países de renda per capita média-baixa, exigindo altos gastos em saúde das famílias mais pobres.

4.Aumentar o acesso a medicamentos

Um terço da população mundial não tem acesso a medicamentos, vacinas, ferramentas para diagnóstico e outros produtos essenciais na área da saúde. Isso ameaça vidas e a saúde pública, colocando pacientes em perigo e aumentando a resistência a medicamentos. Uma das medidas que a OMS está tomando é combater produtos abaixo dos padrões de qualidade e remédios falsificados.

5.Frear doenças contagiosas

A Organização estima que doenças contagiosas, como HIV, tuberculose, hepatite viral, malária, doenças tropicais negligenciadas e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) irão matar aproximadamente quatro milhões de pessoas em todo o mundo em 2020, a maioria delas de baixa renda. Ao mesmo tempo, doenças preveníveis por vacinação continuam a matar, como é o caso do sarampo, que matou aproximadamente 140 mil pessoas em 2019 – a maioria delas, crianças. As principais causas são investimentos insuficientes e o enfraquecimento dos sistemas de saúde dos países mais pobres, combinados com a falta de comprometimento dos países mais ricos.

6.Melhor preparo para epidemias

Como pode ser observado atualmente com os casos de coronavírus, o mundo gasta cada vez mais recursos respondendo a surtos de doenças, desastres naturais e outras emergências em saúde do que se preparando para preveni-los. Na produção deste documento a OMS já chamava a atenção para a inevitabilidade de outra pandemia. Enquanto isso, doenças espalhadas por vetores, como é o caso da dengue, malária, Zika, Chikungunya e febre amarela, continuam a se propagar por meio de mosquitos que se deslocam para novas áreas, impulsionados pelas mudanças climáticas.

7.Proteger as pessoas de produtos perigosos

A falta de comida, a insegurança alimentar e dietas pobres em nutrientes respondem por quase um terço dos problemas de saúde em todo o mundo. Por um lado, há a fome e a insegurança alimentar, e por outro, pessoas consumindo comidas e bebidas com altos níveis de açúcar, gordura saturada, trans e sal, causando sobrepeso, obesidade e outras doenças relacionadas à má alimentação. Ao mesmo tempo, o consumo de tabaco está aumentando na maioria dos países, somando-se às crescentes evidências de riscos dos cigarros eletrônicos.

8.Investir nas pessoas que trabalham com saúde

Várias partes do mundo estão observando a redução do número de profissionais da área da saúde. Isso é causado pela repetida falta de investimento na educação e na contratação dos trabalhadores deste setor, isso sem contar os baixos salários. Isso ameaça a sustentabilidade do setor de saúde, já que até 2030 serão necessários 18 milhões de profissionais de saúde além do número já existente nos dias de hoje.

9.Manter os adolescentes seguros

Mais de um milhão de adolescentes, dos 10 aos 19 anos, morrem todos os anos mundialmente. As principais causas de morte são: acidentes de trânsito, HIV, suicídio, doenças respiratórias e violência interpessoal. Os fatores que elevam estes riscos de morte são: uso excessivo de álcool, tabaco e drogas; falta de atividade física; sexo sem proteção e exposição a maus-tratos durante a infância. A promoção da saúde mental dos adolescentes está entre as ações da OMS.

10.Conquistar a confiança da população

A saúde pública está ameaçada pela disseminação descontrolada de informações falsas (as famosas fake news) nas redes sociais. Parte do problema está na falta de confiança nas instituições públicas – incluindo as de saúde. O movimento antivacina tem sido um fator significante no crescimento de mortes de doenças preveníveis. O desafio é aumentar a confiança dos pacientes para que eles sigam as orientações dos profissionais e órgãos de saúde.

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11.Aproveitar novas tecnologias

A tecnologia está revolucionando a nossa capacidade de prevenir, diagnosticar e tratar diversas doenças. Ao mesmo tempo em que ela permite a edição de genoma, a biologia sintética e a resolução de diversos problemas por meio da inteligência artificial, a mesma tecnologia gera novos questionamentos e desafios em termos de monitoramento e regulamentação. Sem uma compreensão abrangente das implicações éticas e sociais dos avanços, estas novas possibilidades – como a de criar organismos – pode prejudicar ainda mais as pessoas que elas se propõem a ajudar.

12.Proteger os medicamentos que nos protegem

A crescente resistência a antibióticos ameaça trazes de volta os tempos pré-penicilina, sem uma cura eficiente para bactérias cada vez mais fortes. Este problema emerge de uma soma de fatores que incluem a compra e consumo indiscriminados de antibióticos, a falta de acesso a medicamentos de qualidade e a falta de acesso a água potável, saneamento básico, higiene e prevenção de infecções.

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13.Manter os serviços de saúde limpos

Aproximadamente uma em quatro instalações de serviços de saúde em todo o mundo não tem acesso a serviços básicos de abastecimento de água, saneamento básico e higiene, fatores cruciais para o setor. Isso é grave porque aumenta as chances de infecções em pacientes e profissionais de saúde. A OMS trabalha atualmente em 35 países de renda per capita média-baixa para melhorar o acesso às condições básicas de higiene, água e saneamento nos serviços de saúde.

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